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Debate Público

por José Henrique Cunha, em 16.09.09

Anda por aí muita inquietação e confusão nalgumas mentes brilhantes do mal dizer e regabofe.

 
Muito se tem falado sobre o debate que o Jornal Reflexo vai organizar no próximo dia 19 e no qual, ao que parece, o Candidato Socialista, Ricardo Costa, decidiu não participar.
 
Começaria por dizer que é perfeitamente legítima a sua tomada de posição, uma decisão pessoal que só a ele lhe compete e que por ela responde. Não há para mim aqui qualquer tipo de constrangimento, pelo contrário, respeito pela decisão e opinião dos outros. Como já referi num post aqui publicado, não faço juízo sobre a honorabilidade ou integridade intelectual de quem quer que seja, não tenho essa presunção nem tão pouco esse direito. Opino apenas sobre o comportamento político e institucional.
 
Neste padrão de raciocínio, acho intolerável o juízo feito, com adjectivação imprópria, na mensagem de Ricardo Costa sobre a questão do debate, assim como as leituras amplamente divulgadas no mundo da net por pessoas que não têm coragem nem integridade para dizer, à luz do dia, o que lhes vai na alma, preferindo enlamear o nome de entidades e pessoas no correr do teclado dum qualquer computador.
 
Sobre o debate apraz-me dizer o seguinte:
 
- A ausência de um qualquer candidato demonstra uma grande falta de respeito pelos taipenses ao não aceitar debater e defender o seu programa eleitoral por capricho pessoal. Aliás, esta atitude não é nova no Partido Socialista, uns querem debate com público, outros querem sem público e outros ainda não querem debater.
 
- Não comparecer parece-me uma fuga ao combate político com os seus adversários. Quem não deve não teme! Com público ou sem público. Até porque poderia, à posteriori, denunciar o “arranjinho” (!?) que o Jornal organizou com os restantes candidatos!
 
- Demonstra falta de cultura democrática ao não aceitar o que a maioria aceitou de forma espontânea e livre. Os organizadores entenderam organizar um debate num determinado formato, igual para todos, e a maioria dos participantes aceitou participar.
 
- O debate é público na medida em que será tornado público pelos canais de informação de que o Reflexo dispõe. Aliás, como é comum em órgãos de informação, ou será que os debates da RTP, SIC, TVI não são públicos pelo simples facto de não terem público presente?
 
- É preciso muita presunção para se dizer que o debate não é credível pelo facto do mesmo não ter público, assim como demonstra muita hipocrisia querer comparar um debate político, em ambiente de eleições, com um debate de apoiantes e staff de uma candidatura, sem direito ao contraditório no painel.
 
- Asfixia democrática e pressão política sobre um órgão de informação é aquilo que o movimento Por Amor às Taipas fez desde Setembro de 2008 ao indagar, pedindo satisfações, directa ou indirectamente, junto de membros da redacção, sobre notícias e títulos que o jornal publicou nas versões online e papel. Isto porque a “santidade” do Partido Socialista local entendeu que deve haver submissão à única verdade nesta vila, que é a deles.
 
Para que não fiquem rabos de fora para a maledicência e uso indevido de conversas particulares, como já tivemos oportunidade de ouvir em Assembleias de Freguesia, e porque estou autorizado a fazê-lo, será bom dizer que o Jornal Reflexo, com mais de 15 anos de existência, um projecto sem fins lucrativos, atravessa dificuldades financeiras e nessa medida desencadeou, há uns meses atrás, alguns contactos oficiais junto de entidades locais - Câmara Municipal de Guimarães, Taipas Turitermas, Avepark, Oficina e Tempo Livre - dando nota que este órgão de informação também poderia ser utilizado para publicitarem as suas iniciativas e que desta forma dariam um contributo para viabilizar o projecto.
Por essa altura, foi pedido a algumas personalidades de Caldas das Taipas a colaboração para fazerem chegar pessoalmente a Guimarães esta missiva, o que prontamente foi aceite por estes.
Nesta ronda de contactos também foi pedido à Junta de Freguesia um subsídio tendo esta respondido afirmativamente com uma verba que é do conhecimento público. O último subsídio que a Associação Reflexo recebeu da Junta de Freguesia data do ano 2000.
Atenção que não pedimos subsídios, excepto o caso da Junta de Freguesia, pedimos tão somente que façam publicidade no jornal desta vila como fazem em jornais nacionais e locais.
 
Este texto pode parecer um acerto de contas com alguém mas não o é. Não tenho jeito, feitio, nem motivações para isso ou para outra coisa qualquer do género.
Tenho o maior respeito pelas pessoas envolvidas na vida política, seja no PS, PSD, CDU, BE ou CDS, e acredito, sem reservas, que haja quem ande nisto por devoção e sentido de missão. Aliás, a vivência passada, fora da envolvência política, assim me permite pensar e nem o facto de ter opinião diferente ou seguir um caminho diferente em termos políticos belisca esta forma de eu pensar.
 
Estou é farto de ver jogar ao bom e ao mau. Estou farto de ver achincalhar o bom nome das pessoas. Não acuso ninguém de tachos, compadrios, de se vender por este ou aquele motivo, etc, etc, etc... acho isso ultrajante, conversa de pessoas intelectualmente diminuídas.
 
Gostaria que a discussão tivesse alguma elevação e gostaria que os responsáveis políticos dessem o exemplo.
 

Como dizem os sábios, não há que ter medo de errar, só com os erros alcançamos o sucesso.

 

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5 comentários

De vermelho vivo a 16.09.2009 às 01:07

Caro Henrique,
Compreenda-se que à porta fechada o marketing e o show-off não se enquadram no debate. Logo,
debater as Taipas nestas condições é pura perda de tempo. Logo...

De Elisabete Silva a 17.09.2009 às 22:29

Quanto ao debate organizado(e bem) para este ser público, deveria sem dúvida ter plateia, público afim de podermos assim vêr a postura que os candidatos adoptam no decorrer do referido debate, a forma como lidam com os temas abordados e resposta que dão aos mesmos em tempo real, sem manobras!
A postura adoptada pelo candidato Ricardo Costa foi sem dúvida alguma a mais correcta, pois mais uma vez mostrou o caracter que possui!
Sendo uma pessoa honesta, dinâmica, destemida que quer o melhor para os taipenses, não querendo destes nada esconder!

Um debate à porta fechada é um debate sem taipenses, sem partilha!

Um debate à porta fechada isso sim é uma falta de respeito pelos taipenses!

"Cultura democrática" quem é quem para falar sobre o tema!
Dar primazia ao desenvolvimento e à cultura é, antes de mais, defender a democracia e a cidadania enfatizando a dimensão cultural, ou seja: o desenvolvimento da criatividade e o incremento da inovação. É situarmo-nos na igualdade de oportunidades, é facultar a expressão cultural, criar espaços culturais, facilitar o conhecimento das várias linguagens e torná-las acessíveis a todos, é reforçar as relações interculturais.

Falar em desenvolvimento-cultura e em democracia é também falar da dimensão social, no desenvolvimento comunitário, na transformação social, na exclusão social, reconstruir a consciência colectiva e melhorar a qualidade de vida dos indivíduos e das comunidades.

Dar sentido democrático à actividade cultural é, antes de tudo, apelar à participação e ao associativismo, é favorecer o tecido social, é incrementar o direito à cidadania, é reforçar as relações comunitárias, é desenvolver o associativismo, é fomentar várias formas de relações sociais e de comunicação, é favorecer a descentralização da gestão cultural e social, de forma a potencializar a expressão das iniciativas dos grupos e das comunidades locais, construindo uma sociedade aberta.

Não será tudo isto que o candidato pretende?!

Quanto ao ditado utilizado "quem não deve não teme"
Sem dúvida que se aplica ao candito, Ricardo Costa sem dúvida é uma pessoa destemida!

Elisabete Silva

De Pedro Mendes a 21.09.2009 às 16:49

Caro Henrique,
Vou aqui colocar de lado as minhas preferências políticas e analisar somente o seu comentário e a questão do debate.

1 - Fará algum sentido um debate sem público que depois será transcrito (provavelmente não na sua totalidade) para o jornal, sem que se sinta o debate e as suas emoções,palpitações,exaltações,propostas e a maneira como são apresentadas, etc.?

2 -Não será este seu postal uma necessidade de disparar no sentido de um dos candidatos ás autárquicas nas taipas para, com uma força e violência desnecessárias, tentar disfarçar uma leve inclinação do jornal onde trabalha para outro candidato e outro partido a estas eleições?
Estou certo que é uma pessoa literada e leu a "Arte da Guerra" de Sun Tzu e sabe que a melhor defesa é o ataque.

Se mantiver a coragem que teve ao publicar este postal publicará também este comentário,mas, se não o fizer não ficarei desiludido, uma vez que o essencial é o caro Henrique ler e pensar sobre isto.

Cordialmente,
Pedro Mendes

De José Henrique Cunha a 21.09.2009 às 23:42

Meu Caro Pedro Mendes,

Duas certezas absolutas tenho: 1º - Estou cá de passagem nesta vida; 2º) Errei mais vezes do aquelas que eu pensava poder ter errado.

Muitas opiniões haverão sobre a questão do debate, a minha é só mais uma que não diminui em nada a daqueles que pensam o contrário. A questão é outra. Porquê querer condicionar um debate que a maioria aceitou? Só porque pensamos diferente?

Sabe meu Caro, Sun Tzu em relação a ofensiva estratégica dizia o seguinte:

Aquele que se conhece a si mesmo
Mas não conhece o inimigo
Sofrerá uma derrota
Por cada vitória.

Aquele que não se conhece
A si mesmo
Nem conhece o inimigo
Sucumbirá
Em todas as batalhas.

Anda muita boa gente enganada em relação ao seu inimigo.

Por último meu Caro, a seu tempo saberá em quem votarei nas próximas autárquicas. Não atiro a pedra e escondo a mão, nem vivo de ideias pré-concebidas. Espero não defraudar as suas expectativas sobre a tendência do meu voto.

1 Abraço e até sempre,
José Henrique Cunha.

De Pedro Mendes a 22.09.2009 às 17:10

Caro Henrique,

Foi sem dúvida muito inteligente a sua resposta, e desde já a agradeço, mas, concordará comigo,a mesma foi completamente inconsequente, visto não ter respondido a nenhuma das minhas considerações.

Não duvido que a maioria tenha decidido este modelo de debate(salvaguardando as diferenças, a maioria dos Alemães também escolheu Hitler para o poder em 1933), mas, como cidadão (Não eleitor nas Caldas das Taipas), mantenho a opinião que um debate nestes moldes pouco ou nada irá acrescentar ao debate político corrente e á campanha eleitoral "per se". Resumindo, não elucidará os eleitores sobre em quem votar,o que, em última instância, seria a razão do debate.

Não sinto necessidade de saber a sua orientação de voto, embora respeite que a queira expressar bem como respeito, mais do que imaginará, a sua opinião.

Para finalizar resta-me dizer-lhe, com todo o respeito, que com amigos destes (politicamente falando), quem precisa de inimigos!

Um grande abraço!

Pedro Mendes


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